Marcos Senna: dez anos de Villarreal
Setembro de 2002. Marcos Senna é chamado por Víctor Muñoz e avisado de que entraria em campo pelo seu novo clube, o Villarreal. Ele não tinha noção, mas ali começava o primeiro de muitos capítulos com a camisa amarela. Estreou, mas não pôde evitar o empate adversário após estar ganhando por 2×0. Como também não conseguiu evitar que seu técnico fosse demitido depois da partida. Mas nada disso importava para quem até um mês antes estava no São Caetano, finalista derrotado da Libertadores da América de 2002, e agora jogava em um dos campeonato mais importantes do mundo, a La Liga.
Senna encarou sua chegada à Espanha como mais uma chance de brilhar no futebol. Após passagem discreta pelo Corinthians em 2000, o volante queria ser mais conhecido como jogador de qualidade do que por ser primo do Marcos Assunção. Por isso, não pensou duas vezes ao assinar com o time que tinha a pretensão de se tornar uma potência espanhola.
Começo ruim e naturalização
Mas o começo não foi nada animador. Em janeiro de 2003, Senna se contundiu durante confronto contra o Betis e teve que passar por uma cirurgia no joelho direito. Ficou longe dos gramados por cinco meses até se recuperar. Quando tudo parecia superado, voltou a se lesionar durante uma sessão de treinamento, no mesmo local, e ficou por sete meses sem poder atuar.
E assim se foram quase duas temporadas. Apenas em 2004/05 o volante conseguiu dar a volta por cima. Retornou bem e, ao lado de jogadores como Riquelme, Forlán e Pepe Reina, ajudou o clube a conquistar a vaga na UEFA Champions League pela primeira vez em sua história.
A temporada seguinte foi ainda melhor para Senna no futebol. Junto com seu clube, chegou à semifinal da maior competição interclubes do mundo, a Champions. Foi o autor do gol no empate contra o Arsenal na partida de ida da semifinal e ainda foi convocado pela primeira vez para a seleção espanhola de futebol.
Estreou em março de 2006, na vitória contra a Costa do Marfim por 3×2. Ele ainda foi convocado para a Copa do Mundo daquele ano, mas voltou para casa mais cedo quando a Espanha foi eliminada para a França na Oitavas de final. A glória chegaria em 2008. Senna foi titular da Fúria e homem de confiança do técnico Luis Aragonés. Ajudou a conquistar a taça da Euro 08, disputada na Áustria e na Suíça. Além disso, é considerado por muitos como um dos pilares daquele time. No clube, ajudou o Villarreal a ser vice-campeão da La Liga, atrás apenas do Real Madrid.
No, sir!
Com o bom futebol apresentado, Senna logo despertou interesse de outras equipes. Em 2006, Sir Alex Fergusson, técnico do Manchester United, procurava um substituto para Roy Keane e considerou o volante brasileiro ideal para isso. Ofereceu €9 milhões pelo jogador. Porém, em comum acordo com o atleta, o Villarreal rechaçou a oferta. Senna era importante para o projeto do clube, que estava em ascendência no futebol espanhol. Em 2010 foi à vez do Barcelona tentar contratá-lo. A negociação não deu certo e ele permaneceu no El Madrigal.
Rebaixamento
Para a tristeza de Marcos Senna, seu pior momento no clube ainda estava por vir. Em 2011/12, ele foi do céu ao inferno. Apesar da classificação para a fase de grupos da Champions, o Villarreal fez campanha pífia e foi eliminado em último lugar do grupo com seis derrotas. Na liga não foi muito diferente. Senna jogou bem, mas não conseguiu evitar a 18º colocação da sua equipe e consequentemente o rebaixado para a Liga Adelante.
Com isso, diversos jogadores decidiram sair. Entre eles, Borja Valero, Diego López, Santi Cazorla e o brasileiro Nilmar. Marcos Senna, não. Seu contrato havia chegado ao fim e logo surgiram propostas de clubes do oriente médio e do Brasil. Entre eles, o Corinthians. Mas para Senna era importante deixar a equipe na elite. Aceitou reduzir o salário pela metade e renovou por mais uma temporada.
Sua atitude foi tão emblemática que Fernando Roig, presidente do clube, decidiu renomear um dos portões do El Madrigal com o nome do jogador. No confronto contra o Deportivo Guadalajara, no 1º de setembro, Senna completou dez anos de clube e foi ovacionado pela torcida. Ele tem atuado tão bem que deve ser o capitão que irá comandar o submarino amarelo no retorno a superfície espanhola.